" A construção da vida encontra-se, atualmente, mais em poder dos fatos do que das convicções..." ( Walter Benjamin)

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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

[o escafandro e a borboleta]


[o escafandro e a borboleta]

O Escafandro e a Borboleta
Le Scaphandre et la Papillon, 2007
Julian Schnabel


O Escafandro e a Borboleta é um filme que vale a pena, você o vê e simplesmente não pára de refletir sobre a vida, o destino, sua própria condição, diante da condição do personagem, é um desafio para o espectador. Durante os pimeiros 40 minutos, não vemos o rosto do protagonista. e isso é incrível, a fotografia é maravilhosa, os enquadramentos fantásticos e a história baseada em um livro, escrito pelo protagonista, que escreve o que de fato viveciou durante este momento de sua vida.

Em um clássico filme de doença, passado quase que inteiramente dentro de um hospital, Janusz Kaminski reiventa o que se chama de fotografia, assumindo não apenas o ponto de vista de quem conta a história, como transformando sua visão turva e limitada num carrossel de experimentos visuais e sensoriais em que os atores encaram a câmera o tempo todo. Um trabalho impressionante que precisa ser visto para dar conta de sua totalidade. é simplesmente maravilhoso e só vendo para entender a sensação...

Em seu terceiro longa, Julian Schnabel radicaliza seu compromisso com o marginal, que ficava mais em seus objetos nos filmes anteriores que dirigiu, Basquiat e Antes do Anoitecer, e leva suas experiências plásticas para a forma como filma. É extremamente artístico e poético.

O escafandro e a borboleta é seu trabalho mais apurado, embora a radicalidade da primeira parte seja abafada depois de uma reviravolta, muito bem justificada no roteiro, tornando o filme mais convencional e talvez mais palatável para um espectador que busca apenas uma bela história. Afinal, o filme é sobre um editor de uma revista que sofre um derrame, perde os movimentos, mas consegue escrever um livro.

Mesmo assumindo esse lado mais clássico, Schnabel adota alguns métodos que deixam O Escafandro e a Borboleta diferenciado dos outros exemplares de seu 'gênero'. Primeiro, Ronald Harwood, que escreveu aquela ode à tristeza que é O Pianista, não apenas adaptou o livro de Jean-Dominique Bauby, como tentou capturar seu antes e seu imediatamente depois, rendendo um monólogo aparentemente interior que ganha a cumplicidade do espectador, o único capaz de ouvir o personagem principal, o que cria uma intimidade silenciosa.

O segundo grande trunfo é como, apesar de bastante delicado e inevitavelmente entristecido, o filme tem um enorme senso de humor, com Mathieu Amalric fazendo piadas sucessivas sobre a condição de seu personagem e todos que o cercam. Um grande trabalho de interpretação, por sinal, já que o ator só tem diálogos em flashback, mas se desdobra para dar conta da complexidade do protagonista. O restante do elenco, cujas performances são quase que sempre uma conversa com a câmera, também é desafiado, com Emmanuelle Seigner e, principalmente, Marie-Josée Croze sendo as melhores em cena.

Entre o filme de doença e o experimento cinematográfico, Julian Schnabel conseguiu um meio termo bastante equilibrado. Um filme inteligente, que tenta trazer um algo novo e que, ao mesmo tempo, é uma homenagem singela que talvez mereça cinco estrelas. Eu gostei... E é uma dica muito boa!


Assistam o filme... vocês não se arrependerão... Fantástico...
Para quem gosta de um bom filme, se interessa por psicologia, gosta de se emocionar, gosta de filmes franceses, ou para quem simplesmente quer refletir sobre o valor da essência de viver e de não ter pena de si mesmo, mesmo se estiver na pior situação de sua vida... Vale a pena!
O Diretor teve uma sensibilidade... emociona!!!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

"O Príncipe" de Maquiavel: Resenha Crítica e feixes no mercado da moda


O Príncipe de Maquiavel: Resenha Crítica e feixes no mercado da moda

Por: Renata Duarte Bhering de Carvalho

O Livro de Nicollò Machiavelli foi escrito originalmente em 1505 e publicado em 1515. Ele foi secretário de governo, embaixador e colaborador da família Médici na Florença. Após a família ser retirada do poder pelos Borgia, Maquiavel escreveu seu livro para oferecer a Cesare Borgia e conseguir retornar às proximidades do poder.

A obra de Maquiavel caracteriza-se por uma franqueza que deixa a maioria das pessoas chocadas, ele propõe de maneira sincera e sem meias palavras seus conceitos e teorias a respeito do poder. Seu Texto trata da arte do governar pela intimidação e astúcia. Os capítulos assim se sucedem, uns após os outros, recheados de conselhos ao tirano que deseja se manter no poder, seja por meio de leis, seja por meio da força. De preferência, usando ambas já que uma sem a outra não seria durável, ou sustentável usando um termo atual. O pensamento político moderno deve muito à Maquiavel (1469-1527), que é considerado um dos mais importantes pensadores de todos os tempos. Suas reflexões possuem uma crítica ideológica que fazem parte de muitas das constituições modernas. Em sua principal obra, O Príncipe, o diplomata e estudioso de política florentino, relata as normas para se estabelecer como um soberano e conservar o poder, ainda que demande o uso das aparências e da força.

O texto analisa, em forma de preceitos ou ensinamentos, o poder do estado, na forma de principados, e procura explicar o que são,de quantas espécies são, como se conquistam e como se conservam. Maquiavel reúne assim, tudo que aprendera como diplomata, formando um impecável tratado de filosofia prática, simples, mas profunda. Um manual para governantes, e que ainda impressiona pela precisão e atualidade pelos conselhos que o italiano traz a tona, como por exemplo: como lidar com o povo."Toda ação é designada em termos do fim que se procura atingir".

Maquiavel apresenta os problemas e as dificuldades, e logo em seguida ele mostra não só a resolução para estes, mas também conselhos que os governantes devem seguir se quiserem ser bem sucedidos. Ao descrever e abordar tais ensaios, o pensador trespassa os humanistas, que se basearam no abstrato para compor seus conceitos ideais. Caracteriza assim em O príncipe um rompimento com a escolástica e a defesa do método empírico, objetivando a realidade política, em termos práticos da construção humana.

A obra O Príncipe é um clássico da Ciência Política porque se trata de um modelo para a compreensão da realidade, isto é, trata-se de um livro atemporal. Ele não trabalha a política, como ela deveria ser, mas como ela realmente é, crua e nua. Mas a base de toda a visão política e histórica de Maquiavel é a sua antropologia: a natureza humana é decaída e pérfida e, aqui, todos os fatos históricos são explicados.
Assim, a contribuição de Maquiavel para a Ciência Política é analisar a política como ela é. Aqui se percebe – no capítulo XV – a objetividade científica de Maquiavel, com imparcialidade e sem juízo de valores.
A base do livro é apreender as inclinações da natureza humana, ou seja, a sua antropologia. Entendendo a antropologia de Maquiavel, é possível entender a sua teoria política.

Trata-se portanto de um manual à moda antiga, no qual, Maquiavel não teve escrúpulos ou constrangimento de descrever das mais simples às mais ardilosas e perfídias maquinações para a manutenção do poder num mundo envolto em interesses, conspirações, traições e guerras. Os meios para a manutenção da dominação são explorados com abundância na intenção de conceber uma obra útil, “em busca da verdade extraída dos fatos e não da imaginação” dos que conceberam repúblicas ou principados que nunca foram vistos ou tidos como existentes.

O conjunto de seus ensinamentos costuma ser resumidos na afirmação de que os fins justificam os meios empregados na sua consecução, o que cunhou a expressão maquiavelismo, sistema político tão empregado quanto o esforço em negá-lo.

A compreensão da obra de Maquiavel tem seu ponto de partida em seu entendimento da natureza humana. Para ele os homens eram naturalmente maus se não houvesse motivos para serem bons. Assim, os homens são dotados de uma série de características para os quais o príncipe deveria se precaver. Isso incluía o uso da força, da quebra da palavra, do oportunismo, da enganação e da manutenção de uma falsa imagem, uma vez que as pessoas são mais fiéis aos que temem do que aos que amam.

É importante também ter uma conduta orientada para que o príncipe não seja jamais odioso nem desprezível ao povo, às classes dominantes, aos colaboradores ou aos soldados. Para isso ele deve possuir cinco qualidades: piedade, fé, integridade, humanidade, religião. No entanto, uma vez que pode ser necessária a mudança de opinião e a alianças quaisquer para tomar como o bom o menos prejudicial, é melhor parecer possuir as qualidades do que possuí-las de fato.

Quanto à piedade, Maquiavel afirma que seu uso excessivo gera desordem e mais descontentamento do que não usá-la. Sobre a integridade, ele acredita que diante da difícil tarefa de governar não faltam razões para justificar a quebra da palavra. A fé por sua vez deve ser creditada apenas aos ministros que sejam sábios experientes evitando os aduladores que proliferavam em cada canto dos palácios.

A visão da humanidade vista por Maquiavel é utilitarista pois o uso ou não da bondade deve ser regida pela necessidade. O defeito de ser cruel portanto, não deve ser temido por que isso muitas vezes pode ser necessário para manter a ordem e a fidelidade. Quando o príncipe anima os cidadãos a exercer suas atividades no comércio, na agricultura ou outra ocupação e distrai o povo com festas e espetáculos, o faz como uma forma de evitar tornar-se odiado pelas maiorias e com isso desestimular iniciativas conspiratórias. Sobre religião, Maquiavel simplesmente afirma que “nada existe mais necessário de ser aparentado do que esta última qualidade [a religião]” pois “o vulgo sempre se deixa levar pelas aparências e pelos resultados, e no mundo não existe senão o vulgo”.

Talvez também para defender seu ofício, Maquiavel dedica alguns capítulos para orientar quanto à escolha dos conselheiros e ministros. Em primeiro lugar afirma que da observação dos homens que o cercam se deduz a inteligência de um príncipe. Assim, um que não seja sábio por si mesmo não poderia ser bem aconselhado. Essa seria uma regra de ouro que “nunca falha”. Além disso, o aconselhamento inclui ouvir apenas quem se deseja e quando se deseja, com paciência e abertura para ouvir as verdades. Os ministros escolhidos e tidos como fiéis deveriam ser bem tratados e satisfeitos com cargos e outros tipos de honrarias para que não desejassem ter mais do que tem.

O conteúdo dos capítulos encerra com uma explanação acerca da necessidade do príncipe de construir sua própria sorte não se arriscando às variações desta, que poderia lavá-lo à ruína. Para Maquiavel o arbítrio deve ser utilizado para determinar as ações corretas segundo a necessidade do momento. Mesmo que existam vários caminhos para atingir os mesmos objetivos, uma vez que indivíduos agindo por formas diversas podem alcançar o mesmo efeito, seria melhor ser impetuoso do que dotado de cautela. Para ilustrar isso, Maquiavel associa a fortuna (sorte) à figura de uma mulher, a quem querendo dominá-la torna-se necessário “bater-lhe e contrariá-la”.

O estudo de O Príncipe é fundamental e mesmo interessante para compreender não apenas o passado histórico que marcou a geopolítica européia, mas também para compreender o mundo em que vivemos. O contexto histórico pode ser facilmente adaptado para a realidade atual, substituindo muitas das práticas antigas, que incluem até assassinatos, regimes e papéis por aqueles encontrados nos sistemas políticos atuais, seja ele qual for.

Assim sendo, Maquiavel continua sendo atual e provavelmente de leitura obrigatória para qualquer um que esteja próximo do círculo do poder. Com certeza, é um livro que se lido nessa esfera, o é às escondidas, para que qualquer indício de inspiração possa ser veementemente refutado. Poucos reconheceriam que gostam de ler Maquiavel. Talvez por conter verdades, que aos olhos da sociedade, são inconfessáveis ou até vergonhosos para algumas pessoas.

Se Maquiavel dedicou o seu livro aos príncipes, e se lhes deixou os bons conselhos de como alcançar, ou melhor, manter o poder, se o tivesse escrito hoje teria escrito o seu livro dedicado aos que governam o mundo econômico, particularmente aos que governam as empresas que, de um modo ou de outro, sustentam os Estados. Isto é, nos dias de hoje as empresas são a principal preocupação dos Estados uma vez que delas emana a riqueza-fluxo que é a principal fonte e base de tributação da atualidade: trabalho, capital, rendas e bens e serviços.

Se fôssemos aplicar seus preceitos no mercado de moda, facilmente conseguiríamos faze-lo, afinal o mundo da moda é um ambiente propício para sermos “maquiavélicos” e sempre estarmos tramando planos para crescimento de nossa empresa, e assim, escolhendo muito bem os funcionários que estarão ao nosso lado, a hierarquia destes, percebendo assim, quem de fato está trabalhando por “puxa saquismo” ou por dedicação e gosto.

Pode-se conseguir o poder de diversas maneiras, contando com a sorte ou com o próprio valor e luta, e em qualquer uma das maneiras encontra-se diversos obstáculos e diversas pessoas da concorrência de outras marcas, que por exemplo, constantemente tentarão vencer você pelo cansaço, pela falsidade, e ainda jogando muito sujo; então é necessário ter muito jogo de cintura e saber em quem se pode confiar, em quem se deve apoiar e além do mais, sempre seguir em frente buscando atingir a meta proposta por sua empresa naquele ano, por exemplo, ou naquela estação, garantindo assim sucesso acima de tudo.

Parece cruel este pensamento, mas sem dúvida nenhuma trabalhar em um meio, o qual, a concorrência, aparência, poder e dinheiro são características chaves do sucesso pode ser perigoso, e todos tendem a tramar e querer passar por cima do outro para se destacar, inclusive chegam a montar estratégias de vendas, desfiles, produção, publicidades para tentar desarmar o concorrente e conquistar cada vez mais o público alvo alheio.

O livro de Maquiavel é aplicável a diversas áreas, e é bem interessante lê-lo e auferi-lo ao campo do marketing de moda, por que em suma, sua aplicação foi basicamente em questões territoriais de uma empresa: Como dominar um território com uma marca? Como engolir outras marcas? Como se tornar uma multinacional e adquirir filiais em várias partes do mundo?

Em questões de poder, foi exemplificado no livro várias maneiras de alcança-lo e ainda como mantê-lo, em quem confiar para isso. E em uma grande empresa como a Renner, por exemplo, os funcionários funcionam dentro de uma hierarquia basicamente e alguns conseguem crescer nesta por seu valor e esforço outros por sorte, indicação ou influências externas. Além disso, o livro menciona sobre vários defeitos do ser humano, como sua tendência ao egoísmo, à inveja, ao reconhecimento acima de tudo, à golpes baixos, e para isso Maquiavel, ao contar fatos históricos ilustra seus conselhos sobre como proceder a respeito.

Estes e outros conceitos são trabalhados de forma brilhante e muito sincera por parte do autor e podem ser aplicados de maneira diversa em vários campos de atuação. Foi muito interessante ler o livro sobre este ponto de vista.

sábado, 21 de novembro de 2009

Porcos espinhos : A fábula...



A Fábula do Porco-Espinho...

Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio.
Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor.
Por isso, decidiram se afastar uns dos outros e voltaram a morrer congelados, então precisavam fazer uma escolha:
Ou desapareceriam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros.
Com sabedoria, decidiram voltar ficar juntos...
Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor um do outro...
E assim sobreviveram.


DICA DE LIVRO: Porcos-espinhos de Schopenhauer, Os - A intimidade e seus dilemas - Cinco histórias de psicoterapia



Autor(es): Deborah Anna Luepnitz

Editora: José Olympio

Área(s): Psicologia / Psicanálise


294 pág.

Descrição:
Na conhecida fábula do filósofo Arthur Schopenhauer, um grupo de porcos-espinhos ia perambulando num dia frio de inverno. Para não congelar, os animais chegavam mais perto uns dos outros. Mas, no momento em que ficavam suficientemente próximos para se aquecer, começavam a se espetar com seus espinhos. Para fazer cessar a dor, dispersavam-se, perdiam o benefício do convívio próximo e recomeçavam a tremer. E o ciclo se repetia, numa infindável luta para descobrir uma distância confortável entre o frio do afastamento e a dor da união. Estarão os seres humanos destinados a encontrar complementos perfeitos no amor? Ou seríamos mais parecidos com os porcos-espinhos, acotovelando-nos na eterna busca de um lugar entre o envolvimento doloroso e o isolamento sem amor?

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

AS Roupas e Sua importância...

As Roupas sempre exerceram um papel de comunicação simbólica e no século XIX,Tiveram uma importância enorme por transmitirem informações sobre o papel, posição social e também sobre a própria natureza pessoal das mulheres na época.

As mulheres, em falta de outras formas de poder, utilizavam-se de símbolos não verbais como meio de expressão; Apoiadas por outras instituições sociais, as roupas que eram usadas na época, colocavam a mulher em um papel submisso e passivo.

A silhueta em X ou ampulheta apertava a cintura e comprometia os movimentos dessa mulher, apertando seu corpo e dificultando seu andar, sendo o espartilho o principal culpado dessa sensação de “prisão”.

Se fizéssemos uma análise semiótica da roupa neste contexto, poderíamos dizer que estas, ora simbolizavam ora expressavam, o mesmo signo que a mulher representava para esta sociedade. A Roupa seria a própria tradução intersemiótica deste contexto de opressão e submissão vivido pela mulher.

No século XIX, podemos falar de dois estilos regentes : O dominante, que se originou na França e o alternativo originado na Inglaterra O dominante descrito acima simbolizava a exclusão, opressão e "prisão" das mulheres, já o alternativo, simbolizava a tentativa de inclusão naquela sociedade paternalista; as mulheres que não queriam mais se sentir presas e podadas, incorporavam itens do vestuário masculino, como: gravatas, chapéus, paletós e coletes, peças estas que davam certa liberdade de movimentos e conforto. Estas poderiam ser usadas separadamente ou combinadas entre si, mas sempre em conjunto com peças femininas da moda.

Em suma, o estilo alternativo, pode ser compreendido como um conjunto de sinais extraídos do vestuário feminino composto de itens usados separadamente ou em conjunto, que modificavam sutilmente o efeito geral do traje feminino.

Os itens masculinos tem suas significações de poder e autonomia e muitas vezes, quando incorporados pelas feministas, queriam dizer que elas estavam aptas a utilizar esses utensílios para contestar as idéias da época e representarem um conjunto de valores que se opunham ao ideal vitoriano. De certo modo as roupas alternativas usadas em espaço público eram uma manifestação de mudanças mais radicais.

O uso da calça era controverso no século XIX e por isso não faziam parte deste visual alternativo por enquanto, inclusive alguns cartunistas da época, quando queriam ilustrar uma mulher desobediente á ordem social, a desenhava de calças. A calça só foi bem aceita mesmo no século XX com o chamado ‘Crossdresing’ que veio substituir o estilo alternativo e que trouxe a sulhueta em H. Neste estilo a mulher vestia-se do sexo oposto e não mais apenas incorporava certos itens.

A roupa e sua significação contribuíram para posteriores mudanças no vestuário e na cultura do feminino ao decorrer dos anos.