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domingo, 28 de março de 2010

Teoria Social Cognitiva e a Auto-Eficácia: uma visão geral

Em 1941 Neal Miller e Jonh Dollard propuseram uma teoria com base na aprendizagem social e na imitação do outro, esta teoria por ora, rejeitava noções behavioristas em favor dos princípios da redução de impulsos. Mais tarde, durante a década de 60, Albert Bandura e Richard Walter aumentaram as fronteiras da teoria da aprendizagem social com os conhecidos princípios da aprendizagem observacional e o chamado reforço vicário e passaram a se concentrar no papel crítico que os modelos sociais desempenham no funcionamento humano.

Em 1977- Bandura publicou o artigo intitulado “ Self –efficacy: Toward a unifying theory of behaviorism chance” .


Nesta publicação identifica um elemento faltoso em sua teoria : que os indivíduos criam e desenvolvem percepções pessoais sobre si mesmo, as quais, se tornam instrumentais para seus objetivos que perseguem e para o controle que exercem sobre seu ambiente.(BANDURA.p.97.2008)


Já na década de oitenta, exatamente em 1986, Bandura publicou outro artigo, intitulado “Social foudantion of thought and action: a social cognitive theory” , neste o teórico começou a promover uma visão do funcionamento humano, que previa um papel central para os processos cognitivos, vicários, auto-reguladores e auto-reflexivos na adaptação e mudanças humanas.

Uma mudança de Rótulo em sua teoria ocorreu mais ou menos neste momento, e esta passou, do campo de aprendizagem social para o campo de social cognitiva; e isto ocorreu justamente para distanciá-la das teorias de aprendizagem social que eram dominantes na época, para dar ênfase ao papel que a cognição desempenha na capacidade das pessoas de construir a realidade, de se auto-regularem, codificar algumas informações e executar comportamentos cotidianos.

Logo, pode –se dizer que dentro de sua teoria, Albert Bandura centralizou suas pesquisas no estudo do comportamento humano quando inserido no contexto social, dando valor aos processos cognitivos dos indivíduos. Para Bandura o homem não reage como uma maquina perante as influências do meio já que as reações a os estímulos são auto-ativadas. Bandura não vê o homem como um ser passivo, totalmente dominado por ações ambientais, pelo contrário, o homem para ele é proativo, é um ser influente em todos os processos. O comportamento não necessita ser diretamente reforçado para ser adquirido, o homem aprende e adquire experiências observando as conseqüências dentro do seu ambiente, assim como as vivências das pessoas a sua volta, considerando que pensamentos, conivência, crenças e expectativas fazem parte de um processo de reforço. Em alguns momentos a resposta habitual pode ser uma característica geral dos indivíduos dentro de determinada cultura, em outros momentos estas respostas podem ser idiossincráticas derivadas de experiências particulares e peculiares a um sujeito.

A teoria social cognitiva de Bandura explica a influência entre fatores ambientais, pessoais e o comportamento, denominando este entrelaçamento de determinismo recíproco. Por exemplo, uma jovem que se encontra em situação financeira difícil (fator pessoal) e é obrigada a cancelar a graduação que esta cursando em uma faculdade privada (meio) pode ter terminado seu envolvimento com o curso que mantinha anteriormente (comportamento), mas sua própria motivação (comportamento) para finalizar o curso e o incentivo dos amigos, pode levá-la a explorar alternativas existentes como procurar uma universidade pública ou encontrar uma outra fonte de renda para continuar seus estudos. Igualmente, pode-se então, observar uma dinâmica de grupo, por exemplo, na qual, há determinismo recíproco. Cada um, troca mutuamente experiências com os demais, observa, identifica-se e aprende o que julga ser relevante. Há uma troca de influências, o grupo age no individuo e o individuo age no grupo. Aqui, notamos que de certa forma qualquer integrante é influenciado pelo contexto grupal e fatores externos, mas cada estímulo enviado pelo grupo reage gerando uma resposta diferente em cada membro.As respostas podem não ser instantâneas e são diferentes, pois dependem da formação de cada pessoa.
Sendo assim, pode-se concluir que o homem é um complexo formado por tentativas falhas e acertos, desenvolvendo-se sempre, é uma realidade da construção própria, no que absorve e no que repele, nos processos que atualiza, porém, não é nunca uma estrutura sólida e imutável, sendo então uma mescla, pois é incitante e também um constante receptor de incitações do seu próprio ambiente. Dentro dessa perspectiva, seu comportamento está constantemente sob influência recíproca de cognitiva (e outros fatores pessoais, como motivação) e influências ambientais.

As pessoas são de fato complexas e de maneira geral, pode-se dizer que são impregnadas com certas capacidades que as definem como ser humano: simbolizar, planejar, estratégias alternativas (antecipação), aprender com experiências vicárias (vivenciadas por outros/ se colocar no lugar do outro), auto-regular, auto-refletir. E essas capacidades proporcionam aos seres humanos os meios cognitivos pelos quais influenciam e determinam o seu próprio destino.

As chamadas capacidades simbólicas, conseguem extrair significados do seu ambiente, resolver problemas, construir roteiros, adquirir novos conhecimentos por meio do pensamento reflexivo, etc. Símbolos para Bandura, são veículos dos pensamentos, muitas vezes nos fazem associar para lembrar de algo, simbolizar nossas experiências e trazer significados através de vivencias cotidianas. Não é preciso executar certas coisas para saber de seu resultado ou suas conseqüências, as experiências vicárias, por exemplo, são maneiras de observar experiências alheias e me colocar no lugar do outro para saber se devo ou não repetir aquele comportamento. Ou então, pode-se inclusive, aprender novos comportamentos a partir desse tipo de experiência.

Os mecanismos auto-reguladores propiciam mudança de comportamento em relação a qualquer coisa ou pessoa. A maneira como auto-regulamos nossas atitudes parte do modo da precisão ou atenção com que observa-se o seu próprio comportamento ou o comportamento alheio.Sua auto-estima, seus valores pessoais e seu auto-conceito estão veiculadas aos seus mecanismo de auto controle com relação a tudo em sua volta, a maneira como você age reflete de certa maneira seu próprio Eu (self). Bandura ainda complementa a respeito das capacidades humanas e diz que a característica que é mais distintamente humana é a da auto-reflexão. Por intermédio desta, cada um pode tirar sentido de sua própria experiência e explorar suas próprias cognições e crenças pessoais, além é claro, se auto-avaliar. (pensamento/comportamento)

No núcleo fundamental da teoria social cognitiva, destacam-se as crenças de auto-eficácia. Estas crenças são aquilo que cada um acredita, espécies de julgamentos pessoais que cada um faz para se organizar e executar as ações necessárias para alcanças objetivos e desempenhos. Ou seja, são as percepções dos indivíduos sobre suas próprias capacidades. Estas crenças são a base da motivação humana, do bem-estar e da realização de cada um para se fazer tudo na vida. (de acordo com a teoria social cognitiva.) Muitas evidências empíricas sustentam a afirmação de Bandura, que estas crenças de auto-eficácia influenciam praticamente em todos os aspectos da vida. Independentemente de pensarmos de forma produtiva, autodebilitante, pessimista ou otimista, o importante é o quanto nos motivamos e perseveramos na frente de adversidades da vida, vulnerabilidade ao estresse e à depressão e as escolhas que fazemos. A auto-eficácia é algo que determina como os indivíduos regulam seu pensamento e o seu comportamento.

O funcionamento humano é basicamente influenciado por sucessos ou fracassos. E cada indivíduo deve interpretar os resultados de suas realizações, assim como devem julgar a respeito da qualidade de seus conhecimentos e das habilidades que tem ou não tem. Deve-se ficar atento também a respeito dessas crenças, afinal as crenças e a realidade podem não se encaixar perfeitamente. Como conseqüência, as realizações das pessoas são melhores previstas por suas crenças de auto-eficácia, do que por suas realizações anteriores, conhecimentos ou habilidades. Não se deve confundir crenças de auto-eficácia com seus julgamentos sobre as conseqüências que seu comportamento produzirá. Geralmente, as crenças de auto-eficácia ajudam a determinar resultados que se esperam, mas não é sempre que determinam resultados exatos.

A Eficácia coletiva é objetivamente o mesmo tipo de crença, só que ela tem que ser compartilhada pelo grupo e não apenas por um indivíduo. Uma sala de aula, por exemplo, tem que ter os mesmos desejos e objetivos para realizar as tarefas desejadas. Em geral as escolas desenvolvem crenças coletivas sobre a capacidade de seus alunos.

As pessoas formam estas crenças de auto-eficácia interpretando informações de quatro fontes principais; a chamada experiência de domínio (interpretação): á medida em que são realizadas tarefas e atividades, cada um vai interpretando os resultados dos seus próprios atos ou do seu próprio comportamento com as pessoas. Se interpretam resultados bem sucedidos, estes são repetidos, afinal, aumenta-se a auto-eficácia em relação a este tipo de comportamento, o resultado foi bom e se interpretam resultados como fracassados, reduzem a auto-eficácia, sendo assim este tipo de comportamento com o tempo tende a ser reduzido, já que o indivíduo viu nele um resultado ruim.

Na Experiência vicária: à medida que o indivíduo observa o comportamento das outras pessoas com ele ou em relação aos outros , percebe o que produziu sucesso ou fracasso. Se produziu sucesso a tendência é modelos experientes o ensinarem maneira melhores de fazer as coisas. A experiência vicária é poderosa quando observadores enxergam semelhanças em alguns atributos e acreditam que o desempenho do modelo é diagnóstico de sua própria capacidade. Ex: A mulher malha e é musculosa, sou uma moça e desejo ser assim, então penso : tenho que malhar como ela. Se ele consegue eu também consigo!

Já no caso das Persuasões sociais os indivíduos criam e desenvolvem crenças de auto-eficácia como resultado de persuasões sociais que sofrem das outras pessoas, podendo envolver a exposição de julgamentos verbais que os outros fazem. Cultivam crenças das pessoas em suas capacidades, enquanto garantem que o sucesso imaginável é alcançável. As persuasões negativas podem enfraquecer as crenças de auto-eficácia. Ex: incentivo de fazer um concurso público por que você percebe que o outro tem plena capacidade de fazê-lo e passar e assim poder ter um salário melhor e uma vida mais tranqüila. É algo possível, um sucesso imaginável.

E por último a fonte dos Estados somáticos e emocionais: ansiedade, o estresse, a excitação e os estados de humor proporcionam informações sobre as crenças de auto-eficácia. Reações emocionais podem afetar ou interferir na hora de pensar em determinada ação e ter que avaliar seu grau de confiança em relação a esta. Promovendo bem estar emocional pode-se aumentar suas crenças de auto-eficácia. “ Nossos sentimentos pessoais estão sob nosso poder” e eles podem influenciar poderosamente nossos estados fisiológicos.

As crenças de auto-eficácia promovem as realizações humanas e o bem estar de várias maneiras. Os indivíduos que são confiantes realizam tarefas muito difíceis como desafios a serem vencidos, em vez de ameaças a serem evitadas. Se tem crenças de auto-eficácia (maior confiança), se fracassam por algum motivo, recuperam mais facilmente a confiança e atribuem ao seu fracasso esforços insuficientes ou conhecimentos deficientes. As crenças de auto-eficácia ajudam a determinar quanto esforço uma pessoa empregará em uma atividade e quanto tempo elas perseverarão quando confrontarem com obstáculos, e o quanto serão resilientes frente a situações adversas. No caso de baixa auto-eficácia pode fazer pessoas acreditarem que as coisas são mais difíceis do que realmente são, além de contribuir para redução de ânimo e confiança. Influências da auto-eficácia sobre o funcionamento humano é afetada por diversos fatores: desincentivos e limitações ao desempenho, ou seja, mesmo pessoas que são eficazes e habilidosas podem decidir não se comportar de acordo com suas crenças e habilidade por que simplesmente não tem incentivo para faze-lo. Importante perceber que em sistemas que são mal estruturados, as pessoas tem que verificar que não existe quantidade de esforço e habilidade capaz de levar a resultados desejados exatos. Neste caso, as pessoas podem ter capacidade e auto-eficácia, mas não ter incentivo.

Além de interpreta-las e necessário estar certo em avaliar as crenças de auto-eficácia relevantes para o comportamento em questão e vice-versa. A avaliação incorreta pode criar uma relação ambígua.

Para aumentar a precisão da previsão dos resultados comportamentais, “as crenças de auto-eficácia devem ser mensuradas em termos de julgamentos particularizados de capacidades, que podem variar em diferentes áreas de atividade e em diferentes níveis de exigências, dentro de uma mesma área de atividade e em diferentes circunstâncias.”(BANDURA, p. 109. 2008) .As crenças de auto-eficácia variam de nível, força e generalidade e essas dimensões se mostram importantes para determinar a avaliação adequada.

E Bandura (1982,1986) ainda afirma que avaliações de capacidade razoavelmente precisas, correspondentes a um determinado resultado, garantem a melhor previsão e oferecem as melhores explicações para resultados comportamentais, pois são os tipos de julgamento que os indivíduos usam quando enfrentam tarefas comportamentais.

Sobre os resultados de pesquisas a respeito das crenças de auto-eficácia, pode-se dizer que desde a introdução deste conceito concebido por Bandura, os pesquisadores conseguiram demonstrar a influência gerada em vários campos por tal teoria. No ano de 2004 mais de três mil artigos foram redigidos sobre esse importante constructo psicológico. “A auto-eficácia gerou pesquisas em áreas tão diversas quanto é diverso o desenvolvimento ao longo da vida” (p.111). No âmbito da psicologia essa teoria é focada em estudos sobre problemas clínicos como depressão, assertividade, fobias e habilidades sociais e que, particularmente nesta ciência e na educação, a auto-eficácia mostrou ser um indicador mais consistente de resultados comportamentais do que qualquer outro conceito motivacional. A auto-eficácia é especialmente proeminente em estudos educacionais, como estabelecimento de objetivos, ensino, carreira, realizações acadêmicas, comparações sociais, memória, atribuições de sucesso e fracasso entre outras. Em um aspecto geral, “os pesquisadores estabelecem que as crenças de auto-eficácia e as mudanças de comportamento e resultados estão altamente correlacionados e que a auto-eficácia é um excelente preditor do comportamento”. Os pesquisadores tem conseguido demonstrar que as crenças de auto eficácia agem como um filtro entre determinantes e realizações subseqüentes. Pela similaridade conceitual entre as crenças de autoconceito e auto-eficácia, os pesquisadores enfatizam suas diferenças. As principais são que “as crenças de auto-eficácia são julgamentos cognitivos de competência, referenciados por objetivos, relativamente específicos ao contexto e orientados para o futuro, e são relativamente maleáveis devido a sua dependência de tarefa”. Já as crenças de autoconceito referem-se as ”percepções pessoais principalmente afetivas, bastante normativas, geralmente agregadas, hierarquicamente estruturadas e orientadas para o passado, e que são relativamente estáveis devido ao seu sentido de generalidade”. Isso condiz com a teoria do autovalor de Covington, que atribui a motivação do indivíduo por necessidade de se perceber como componente, e assim agem em função da realização social com a auto-afirmação de capacidade, com isso abrem caminho para crenças atribucionais externas e estratégias de autolimitação, que servem para proteção do sujeito de possíveis sentimentos de incompetência.

A auto-eficácia é uma “teoria de funcionamento humano que enfatiza o papel crítico das crenças pessoais na cognição, motivação e comportamento humanos”. A teoria social cognitiva enfatiza o self como possibilidade de os indivíduos exercerem um grau de controle sobre seus pensamentos, sentimentos e ações. “essa é uma perspectiva psicológica agente e empoderadora, na qual os indivíduos são proativos e auto-reguladores, em vez de reativos e controlados seja por forças ambientais ou biológicas”.

O autor conclui que as crenças pessoais influenciam decisivamente na construção de cada subjetividade e na maneira como esta interage no meio, segundo Virgílio “são capazes aqueles que pensam que são capazes”.

Referência Bibliográfica: BANDURA, Albert. Teoria Cognitiva Social: conceitos básicos in: Teoria social cognitiva e a auto-eficácia: uma visão geral. Ed.: artmedPA, 2008

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